A experiência do bebé na creche: Perceções de mães e de educadoras no período de transição do contexto familiar para a creche

Catarina Rodrigues Grande, Inês Brandão Nunes, Vera Coelho, Joana Cadima, Sílvia Barros

Resumo


Este estudo visa contribuir para a compreensão da experiência do bebé no período de transição do ambiente familiar para a creche, analisando a perceção das mães e das educadoras acerca do estado emocional do bebé, da manutenção das rotinas e da comunicação família-creche nesse período. Mães e educadoras de 90 bebés da Grande Área Metropolitana do Porto responderam ao Questionário de Experiência na Creche na primeira e quarta semana de frequência da creche.

A perceção das mães e educadoras acerca do estado emocional dos bebés, da manutenção das rotinas e comunicação família-creche foi positiva, verificando-se perceções mais positivas das educadoras relativamente ao estado emocional e à comunicação família-creche. Da primeira para a quarta semana registou-se (a) estado emocional mais positivo, percebido pelas mães e educadoras; (b) diminuição da frequência da comunicação e aumento da manutenção das rotinas, percebidas pelas mães. O estado emocional dos bebés parece estar associado à perceção da manutenção das rotinas (mães e das educadoras) e, adicionalmente, à comunicação família-creche no caso das educadoras.

Este estudo parece assinalar o cuidado das famílias e educadores na transição dos bebés para a creche e destacar a importância do envolvimento das famílias e educadores para um melhor ajustamento do bebé.

Palavras-chave


Transição, Comunicação família-creche, Bem-estar.

Referências


Aguiar, C., Bairrão, J. & Barros, S. (2002). Contributos para o estudo da qualidade em contexto de creche na Área Metropolitana do Porto. Infância e Educação: Investigação e Práticas. Revista do GEDEI, 5, 7-28.

Araújo, S. B., & Costa, H. (2010). Pedagogia-em-Participação em creche: Concretizando o respeito pela competência da criança. Cadernos de Educação de Infância -Revista da Associação de Profissionais de Educação de Infância, 91, 8-10.

Azevedo, S. (2011). O papel da creche na adaptação da criança ao contexto do Jardim-de-Infância. Relatório de estágio. Instituto Politécnico de Castelo Branco.

Barros, S., & Cruz, O. (2012). Participação das mães na creche e no Jardim de infância em Portugal. Revista AMAzônica, 5 (8), 8-32.

Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human development: Experiments by design and nature. Cambridge: Harvard University Press.

Bronfenbrenner, U. (2005). Making human beings human: Bioecological perspectives on human development. Thousand Oaks: Sage.

Bronfenbrenner, U., & Morris, P. A. (2006). The Bioecological Model of Human Development. In R.M. Lerner (Ed) & W. Damon (Ed), Handbook of child psychology: Vol. 1: Theoretical models of human development (6th ed., pp. 793-828). New York: Wiley. doi: 10.1002/9780470147658.chpsy0114

Canavarro, J., Pereira, A. & Pascoal, P. (2001). Diferenciação Pedagógica. Escola Superior de Educação João de Deus. Lisboa.

Coelho, V., Barros, S., Pessanha, M., Peixoto, C., Cadima, J., & Pinto, A.I. (no prelo). Parceria família-creche na transição do bebé para a creche. Análise Psicológica.

Cohen, J. (1992). Quantitative methods in psychology: a power primer. Psychological Bulletin, 112, 155–159. doi:10.1037/0033-2909.112.1.155

Dodge, R., Daly, A., Huyton, J., & Sanders, L. (2012). The challenge of defining wellbeing. International Journal of Wellbeing, 2(3), 222-235. doi:10 5502-ijw v2i3 4

Eichmann, L. (2014). As rotinas na creche: a sua importância no desenvolvimento integral da criança dos 0 aos 3 anos. Relatório final de prática de ensino supervisionada. Mestrado em Educação Pré-escolar. Escola Superior de Educação de Portalegre.

Equipa de Estudos e Políticas (junho, 2013). Carta social – Folha informativa nº 11. Gabinete de Estratégia e Planeamento. Retirado de http://www.cartasocial.pt/pdf/FI112013.pdf

Field, A. (2005). Discovering statistics using SPSS (2ª edição). London: Sage.

Fuertes, M. (2010). Se não pergunta como sabe? Dúvidas dos pais sobre a educação de infância. In Estudos Educacionais: Da Investigação à Formação – CIED. Lisboa: Escola Superior de Educação de Lisboa/Instituto Politécnico de Lisboa.

Ghazvini, A., & Readdick, C. (1994). Parent-caregiver communication and quality of care in diverse child care settings. Early Childhood Research Quarterly, 9, 207-222. doi: 10.1016/0885-2006(94)90006

Machado, I. (2014). A avaliação da qualidade em creche: Um estudo de caso sobre o bem-estar das crianças. Dissertação de Mestrado. Universidade do Minho, Minho.

National Association for the Education of Young Children [NAYEC] (2009). Developmentally appropriate practice in early childhood programs serving children from birth through age 8 (Position statement). Washington: NAEYC. Retirado de http://www.naeyc.org/positionstatements

National Association for the Education of Young Children [NAYEC] (1997). Developmentally appropriate practice in early childhood programs serving children from birth through age 8: A position statement of the National Association for the Education of the Young Children. Washington DC: NAEYC.

Oliveira-Formosinho, J. (2007). Pedagogia(s) da infância: reconstruindo uma praxis de participação. In Oliveira-Formosinho, J; Kishimoto, T. e Pinazza, M. Pedagogia(s) da Infância – Dialogando com o passado, construindo o futuro. Porto Alegre: Artmed Ed., 13-36.

Organization for Economic Co-Operation and Development (2011). Doing better for families. Portugal. Retirado de http://www.oecd.org/portugal/47704295.pdf

Owen, M. T., Ware, A. M., & Barfoot, B. (2000). Caregiver-mother partnership behavior and the quality of caregiver-child and mother-child interactions. Early Childhood Research Quarterly, 15(3), 413-428. doi:10.1016/S0885-2006(00)00073-9

Peixoto, C., Coelho, V., Pinto, A. I., Cadima, J., Barros, S., & Pessanha, M. (2014).Transição de bebés do contexto familiar para a creche: práticas e ideias dos profissionais. Sensos-e, 1(2). Disponível em http://sensos-e.ese.ipp.pt/?p=6599

Portugal, G. (1998). Crianças, famílias e creches: Uma abordagem ecológica da adaptação do bebé à creche. Porto: Porto Editora.

Portugal, G. (2011). No âmago da educação em creche – o primado das relações e a importância dos espaços. In Conselho Nacional de Educação. Educação da criança dos 0 aos 3 anos (pp. 47-60). Lisboa: CNE.

Skouteris, H., & Dissanayake, C. (2001). Daycare experience questionnaire. Unpublished manuscript, La Trobe University, Bundoora, Australia.

Vandell, D., & Wolfe, B. (2000, May). Child care quality: Does it matter and does it need to be improved? Report prepared for the U.S. Department of Health and Human Services, Office of Planning and Evaluation, Washington DC.


Texto Completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISBN (in print): 0870-8231 | ISBN (online): 1646-6020 | Copyright © ISPA - Instituto Universitário, 2012 | Portal otimizado para Internet Explorer 10, Firefox 32+, Chrome 37+ e Safari 5+.