Modelos sociais de maternidade difundidos em páginas e grupos do Facebook em Portugal

Filipa César, Alexandra Oliveira, Anne-Marie Fontaine

Resumo


Historicamente, a maternidade tem sido apropriada de diferentes formas pelas várias culturas, dando origem a modelos sociais que refletem e condicionam as expectativas e motivações das mulheres para este papel. Este estudo pretendeu identificar os objetivos, as atitudes, os sentimentos e as práticas atribuídos às mães e difundidos por grupos e páginas do Facebook dedicadas à maternidade, com o intuito de identificar o modelo de maternidade dominante atualmente em vigor em Portugal. Uma busca pelas palavras-chave mãe e maternidade, seguida da técnica “bola de neve”, em outubro de 2015, permitiu identificar 132 Páginas Públicas, 47 Grupos Fechados e 5 Grupos Públicos (n = 184) portugueses, tendo sido as respetivas descrições alvo de análise de conteúdo.

Esta análise evidenciou que o modelo de maternidade veiculado pressupõe a centralidade da criança e das suas necessidades e interesses, e atribui elevados níveis de exigência ao papel de mãe. As atitudes promovidas são sobretudo a dedicação altruísta da mãe e a interação com a criança em benefício desta. As práticas de cuidado estão essencialmente ligadas à alimentação e saúde da criança, realçando maioritariamente os sentimentos positivos da mãe, tais como a felicidade e o amor maternal. Os objetivos de curto e médio prazo da maternidade visam a promoção da autonomia, da felicidade e do bom desenvolvimento da criança. As necessidades da mulher nunca são mencionadas, desaparecendo atrás do papel materno. O estudo parece assim confirmar a predominância de um modelo de maternidade intensivo no Facebook em Portugal, apesar das possíveis dificuldades da sua implementação pelas mães trabalhadoras, dado o modelo familiar de duplo emprego dominante na sociedade portuguesa.

Palavras-chave


Maternidade, Facebook, Modelos sociais

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DOI: https://doi.org/10.14417/ap.1333

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