O outro lado da automonitorização: Inibição dentro e fora de contexto sociais

Pedro Figueira, Teresa Garcia-Marques

Resumo


Sendo claro que o efeito Stroop ocorre devido a falhas nos processos de monitorização cognitivo, até ao momento desconhece-se se o traço de personalidade Automonitorização interfere com o desempenho dessa monitorização. Neste estudo opomos duas hipóteses prováveis. Se assumirmos que as funções do controlo executivo são mais ativadas pelos indivíduos com tendências de personalidade para monitorizar o seu próprio comportamento, é expectável então que indivíduos com alto nível de automonitorização tenham um desempenho onde os níveis de interferência Stroop sejam reduzidos. No entanto se assumirmos a Automonitorização como traço de personalidade que apenas monitora características socias do contexto, então pode ser que indivíduos com altos níveis de automonitorização demonstrem uma falta de recursos executivos para desempenharem a tarefa Stroop em contextos sociais que requeriam essa monitorização. Em dois estudos testamos estas hipóteses. O contexto social é manipulado quer através de uma tarefa de primação (estudo 1) quer através da manipulação da presença física de indivíduos (estudo 2). Em ambos os estudos participantes com altos e baixos níveis de automonitorização desempenharam uma tarefa de Stroop. Resultados de ambos os estudos demonstram que os indivíduos com baixos níveis de automonitorização desempenham melhor em contextos sociais do que não-sociais, enquanto os indivíduos com altos níveis de automonitorização desempenham pior em contextos sociais. Este padrão de resultados sugere que a atividade de monitorização dos indivíduos com altos níveis de automonitorização na presença de outros, interfere com a sua capacidade de controlar a interferência Stroop.

Palavras-chave


Automonitorização, Facilitação social, Tarefa Stroop.

Texto Completo:

PDF (English)

Referências


Abbate, C. S., Boca, S., Spadaro, G., & Romano, A. (2014). Priming effects on commitment to help and on real helping behavior. Basic and Applied Social Psychology, 36, 347-355. Retrieved from https://doi.org/10.1080/01973533.2014.922089

Barreiros, J. (2011). Automonitoragem: Processo baseado no comportamento prossocial. Tese de Mestrado, ISPA – Instituto de Universitário, Lisboa, Portugal.

Bausmeister, R. F., Bratslavsky, E., Muraven, M., & Tice, D. M. (1998). Ego depletion: Is the active self a limited resource?. Journal of Personality and Social Psychology, 74, 1252-1265. doi: 10.1037/0022-3514.74.5.1252

Briggs, S. R., & Cheek, J. M. (1986). The role of factor analysis in the development and evaluation of personality scales. Journal of Personality, 54, 106-148. doi: 10.1111/j.1467-6494.1986.tb00391.x

Cheek, J. M. (1982). Aggregation, moderator variables, and the validity of personality tests: A peer-rating study. Journal of Personality and Social Psychology, 43, 1254-1269. doi: 10.1037/0022-3514.43.6.1254

Danheiser, P. R., & Graziano, W. G. (1982). Self-monitoring and cooperation as a self-presentational strategy. Journal of Personality and Social Psychology, 42, 497-505. doi: 10.1037/0022-3514.42.3.497

Day, D. V., Schleicher, D. J., Unckless, A. L., & Hiller, N. J. (2002). Self-monitoring personality at work: A meta-analytic investigation of construct validity. Journal of Applied Psychology, 87, 390-401. doi: 10.1037/0021-9010.87.2.390

Gangestad, S., & Snyder, M. (1985). “To carve nature at its joints”: On the existence of discrete classes in personality. Psychological Review, 92, 317-349. doi: 10.1037/0033-295X.92.3.317

Gangestad, S. W., & Snyder, M. (1991). Taxonomic analysis redux: Some statistical considerations for testing a latent class model. Journal of Personality and Social Psychology, 61, 141-146. doi: 10.1037/0022-3514.61.1.141

Gangestad, S. W., & Snyder, M. (2000). Self-monitoring: Appraisal and reappraisal. Psychological Bulletin, 126, 530-555. doi: 10.1037/0033-2909.126.4.530

Harris, M. J., & Rosenthal, R. (1986). Counselor and client personality as determinants of counselor expectancy effects. Journal of Personality and Social Psychology, 50, 362-369. doi: 10.1037/0022-3514.50.2.362

Huguet, P., Galvaing, M. P., Monteil, J. M., & Dumas, F. (1999). Social presence effects in the Stroop task: Further evidence for an attentional view of social facilitation. Journal of Personality and Social Psychology, 77, 1011-1025. doi: 10.1037/0022-3514.77.5.1011

Kane, M. J., & Engle, R. W. (2003). Working-memory capacity and the control of attention: The contributions of goal neglect, response competition, and task set to Stroop interference. Journal of Experimental Psychology: General, 132, 47-70. doi: 10.1037/0096-3445.132.1.47

Kardes, F., Sanbonmatsu, D., Voss, R., & Fazio, R. (1986). Self-monitoring and attitude accessibility. Personality and Social Psychology Bulletin, 12, 468-474. doi: 10.1177/0146167286124010

Koch, C. (2003). Self-monitoring, need for cognition, and the Stroop effect: A preliminary study. Perceptual and Motor Skills, 96, 212-214. doi: 10.2466/pms.2003.96.1.212

MacLeod, C. M. (1991). Half a century of research on the Stroop effect: An integrative review. Psychology Bulletin, 109, 163-203. Retrieved from http://dx.doi.org/10.1037/0033-2909.109.2.163

Psychology Software Tools, Inc. [E-Prime 2.0]. (2012). Retrieved from http://www.pstnet.com

Schmeichel, B. J., Vosh, K., & Bausmeister, R. F. (2003). Intellectual performance and ego depletion: Role of the self in logical reasoning and other information processing. Journal of Personality and Social Psychology, 85, 33-46. doi: 10.1037/0022-3514.85.1.33

Sharma, D., Booth, R., Brown, R., & Huguet, P. (2010). Exploring the temporal dynamics of social facilitation in the Stroop task. Psychonomic Bulletin and Review, 17, 52-58. doi: 10.3758/PBR.17.1.52

Snyder, M. (1974). Self-monitoring of expressive behavior. Journal of Personality and Social Psychology, 45, 526-537. doi: 10.1037/h0037039

Snyder, M. (1979). Self-monitoring processes. In L. Berkowitz (Ed.), Advances in Experimental Social Psychology (Vol. 12, pp. 85-128). New York: Academic Press. doi: 10.1016/S0065-2601(08)60260-9

Snyder, M. (1987). A series of books in psychology. Public appearances, private realities: The psychology of self-monitoring. New York, NY, US: W. H. Freeman/Times Books/Henry Holt & Co.

Snyder, M., & Gangestad, S. (1986). On the nature of self-monitoring: Matters of assessment, matters of validity. Journal of Personality and Social Psychology, 51, 125-139. doi: 10.1037/0022-3514.51.1.125

Snyder, M., Gangestad, S., & Simpson, J. (1983). Choosing friends as activity partners: The role of self-monitoring. Journal of Personality and Social Psychology, 45, 1061-1072. doi: 10.1037/0022-3514.45.5.1061

Snyder, M., & Simpson, J. (1984). Self-monitoring and dating relationships. Journal of Personality and Social Psychology, 47, 1281-1291. doi: 10.1037/0022-3514.47.6.1281

Stroop, J. R. (1935). Studies of interference in serial verbal reactions. Journal of Experimental Psychology, 18, 643-662. doi: 10.1.1.442.9311

Tyler, J. M., Mcintyre, M. M., Graziano, W. G., & Sands, K. J. (2015). High self-monitors’ cognitive access to self-presentation-related information. British Journal of Social Psychology, 54, 205-219. doi: 10.1111/ bjso.12085

Tzelgov, J., Henik, A., & Berger, J. (1992). Controlling Stroop effects by manipulating expectations for color words. Memory & Cognition, 20, 727-735. Retrieved from http://dx.doi.org/10.3758/BF03202722

Vosh, K., & Schmeichel, B. J. (2003). Self-regulation and the extended now: Controlling the self-alters the subjective experience of time. Journal of Personality and Social Psychology, 85, 217-230. doi: 10.1037/0022-3514.85.2.217

Wan, E. W., & Sternthal, B. (2008). Regulating the effects of depletion through monitoring. Personality and Social Psychology Bulletin, 34, 32-46. doi: 10.1177/0146167207306756

Webb, T. L., & Sheeran, P. (2003). can implementation intentions help to overcome ego-depletion?. Journal of Experimental Social Psychology, 39, 279-286. doi: 10.1016/S0022-1031(02)00527-9

Wilmot, M. P., DeYoung, C. G., Stillwell, D., & Kosinski, M. (2015). Self-monitoring and the metatraits. Journal of Personality, 84, 335-347.

Wolfe, R. N., Lennox, R. D., & Hudiburg, R. (1983). Self-monitoring and sex as moderator variables in the statistical explanation of self-reported marijuana and alcohol use. Journal of Personality and Social Psychology, 44, 1069-1074. doi: 10.1037/0022-3514.44.5.1069




DOI: https://doi.org/10.14417/ap.1498

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Nº ERC: 107494 | ISSN (in print): 0870-8231 | ISSN (online): 1646-6020 | Copyright © ISPA - CRL, 2012 | Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa | NIF: 501313672 | O portal e metadados estão licenciados sob a licença Creative Commons CC BY-NC