Conhecimentos e perceções públicas acerca do acolhimento familiar: Contributos para o desenvolvimento da medida

Mariana Negrão, Marina Moreira, Lurdes Veríssimo, Elisa Veiga

Resumo


O acolhimento familiar é uma medida de promoção e proteção de crianças e jovens que tem ganho crescente expressividade na Europa nas últimas décadas. Paralelamente, a investigação tem evidenciado um maior ajustamento desta resposta face às necessidades desenvolvimentais das crianças em perigo. Não obstante, em Portugal, esta é ainda uma medida com muito pouca representação. A capacidade de promover o Acolhimento Familiar, para além de muitos e complexos fatores de ordem política, legislativa e financeira, estará também dependente dos conhecimentos e perceções que a população em geral possa ter sobre a problemática. Assim, este estudo analisa os conhecimentos e perceções de uma amostra da população portuguesa (n=270) acerca do acolhimento familiar. Os resultados demonstram poucos conhecimentos acerca da realidade do acolhimento, mas uma atitude favorável face ao acolhimento familiar e uma elevada disponibilidade dos inquiridos para se tornarem família de acolhimento. A discussão dos resultados é feita tendo em conta as suas implicações para a promoção de uma cultura de acolhimento familiar e para a criação de condições que viabilizem a adesão à medida em Portugal.


Palavras-chave


Acolhimento familiar, Crianças em perigo, Conhecimentos e perceções públicas.

Texto Completo:

PDF

Referências


Ahmad, A., Qahar, J., Siddiq, A., Majeed, A., Rasheed, J., Jabar, F., & von Knorring, A. I. (2005). A 2-year follow-up of orphans’ competence, socioemotional problems and post-traumatic stress sympetoms in traditional foster care and orphanages in Iraqi Kurdistan. Child Care Health and Development, 31, 203-215.

Barber, J. G., & Delfabbro, P. H. (2005). Children’s adjustment to long-term foster care. Children and Youth Services Review, 27, 329-340.

Berrick, J. D., & Skivenes, M. (2012). Dimensions of high quality foster care: Parenting plus. Children and Youth Services Review, 34, 1956-1965.

Bowlby, J. (1979). The making and breaking of affectional bonds. London: Tavistock.

Decreto Lei nº 142/2015 de 8 de Setembro do Ministério da Justiça. Diário da República: I série, Nº 175(2015). Acedido a 19 março 2018 em https://dre.pt

Del Valle, J. F., & Bravo, A. (2013). Current trends, figures and challenges in out of home child care: An international comparative analysis. Psychosocial Intervention, 22, 251-257.

Delgado, P., Lopez, M., Carvalho, J., & Del Valle, J. (2015). Acolhimento familiar em Portugal e Espanha: Uma investigação comparada sobre a satisfação dos acolhedores. Psicologia: Reflexão e Crítica, 28, 840-849. doi: 10.1590/1678-7153.201528423

Dey, I. (1993). Qualitative data analysis. A user-friendly guide for social scientists. London: Routledge.

Dozier, M., Kaufman, J., Kobak, R., O’Connor, T. G., Sagi-Schwartz, A., Scott, S., . . . Zeanah, C. (2014). Consensus statement on group care for children and adolescents: A statement of policy of the American orthopsychiatric association. American Journal of Orthopsychiatry, 84, 219-225. doi: 10.1037/ort0000005

Dregan, A., & Guilliford, M. C. (2012). Foster care, residential care and public care placement patterns are associated with adult life trajectories: Population-based cohort study. Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, 47, 1517-1526. doi: 10.1007/s00127-011-0458-5

Instituto de Segurança Social [ISS]. (2016). CASA – Relatório de caracterização anual da situação de acolhimento das crianças e jovens. Lisboa: Instituto de Segurança Social.

Leber, C., & LeCroy, C. (2012). Public perception of the foster care system: A national study. Children and Youth Services Review, 34, 1633-1638. doi: 10.1016/j.childyouth.2012.04.027

López, M., & Del Valle, J. (2016). Foster carer experience in Spain: Analysis of the vulnerabilities of a permanent model. Psicothema, 28, 122-129. doi: 10.7334/psicothema2015.168

López, M., Del Valle, J., & Bravo Arteaga, A. (2010). Estrategias para la captación de familias acogedoras. Papeles del Psicólogo, 31, 289-295.

McCall, R. B. (2011). Research, practice, and policy perspectives on issues of children without permanent parental care. Monographs of the Society for Research in Child Development, 76(4), 223-272.

Megahead, H., & Lee, R. (2012). Adaptation to stress: A common model and method to facilitate within-and cross-cultural evaluation of foster families. Journal of Comparative Family Studies, 43, 773-781.

Negrão, M., Veiga, E., Veríssimo, L., & Moreira, M. (2017). Questionário sobre perceções acerca do acolhimento familiar. Manuscrito não publicado.

Nelson, C., Fox, N., & Zeanah, C. (2014). Romania’s abandoned children: Deprivation, brain development and struggle for recovery. Cambridge: Harvard University Press.

Nowacki, K., & Schoelmerich, A. (2010). Growing up in foster families or institutions: And psychological adjustment of young adults. Attachment & Human Development, 12, 551-566. doi: 10.1080/14616734.2010.504547

Recomendação da Comissão Europeia, nº 2013/112/EU de 20 de fevereiro de 2013. Jornal Oficial da União Europeia. Acedido a 19 março 2018. Disponível em http://eur-lex.europa.eu

Rhodes, K., Cox, M. E., Ohrme, J. G., & Coakley, T. (2006). Foster Parents’ reasons for fostering and foster family utilization. The Journal of Sociology and Social Welfare, 33, 105-126.

Saldanha, J. (2011). Fundamentals of qualitative research. New York: Oxford University Press.

Soares, I. (Coord.). (2007). Relações de vinculação ao longo do desenvolvimento: Teoria e avaliação. Braga: Psiquilibrios.

Soares, I., Belsky, J., Oliveira, P., Silva, J., Marques, S., Baptista, J., & Martins, C. (2014). Does early family risk and current quality of care predict indiscriminate social behavior in institutionalized Portuguese children?. Attachment & Human Development, 16, 137-148. doi: 10.1080/14616734.2013.869237

Strauss, A., & Corbin, J. (1998). Basics of qualitative research: Techniques and procedures for developing grounded theory (2nd ed.). Thousand Oaks, CA: Sage.

Tyebjee, T. (2003). Attitude, interest, and motivation for adoption and foster care. Child Welfare, 82, 685-706.

UNICEF. (1989). A convenção sobre os direitos da criança. Acedido a 19 março 2018. Disponível em http://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf

Zenah, C., Shauffer, C., & Dozier, M. (2011). Foster care for young children: Why it must be developmentally informed. Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 50, 1199-1201. doi: 10.1016/j.jaac.2011.08.00




DOI: https://doi.org/10.14417/ap.1564

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Nº ERC: 107494 | ISSN (in print): 0870-8231 | ISSN (online): 1646-6020 | Copyright © ISPA - CRL, 2012 | Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa | NIF: 501313672 | O portal e metadados estão licenciados sob a licença Creative Commons CC BY-NC