Representações Sociais da Velhice

Fernanda Daniel, Anna Antunes, Inês Amaral

Resumo


O estudo analisa as representações da velhice a partir de uma amostra de idosos/as e de cuidadores formais. Os instrumentos utilizados na recolha dos dados foram o Inquérito por Questionário e o Teste de Associação Livre de Palavras. A hipótese de trabalho que formulámos é a de que a representação da velhice, sendo uma construção social, traduz uma conceptualização negativa induzida pela consciência coletiva da sociedade marcadamente caracterizada por uma ideia negativa da velhice enquanto figuração do fim da vida ativa.

Em concordância com a nossa hipótese de trabalho, os resultados revelam a prevalência de estereotipia idadista negativa associando-se a velhice, em ambos os grupos investigados, a atributos de cariz avaliativo negativo nomeadamente solidão, doença e dependência. As representações aferidas não serão alheias ao modelo societário que é maléfico para a velhice, onde se rejeita o que é velho (Bosi, 1983). É, contudo, nossa convicção que as melhorias verificadas na qualidade de vida, a par da nova narrativa discursiva do envelhecimento (produtivo, saudável, bem-sucedido, positivo e ativo), poderão vir a metamorfosear o campo representacional da “velhice” aligeirando a sua carga negativa.


Palavras-chave


socialização; representações sociais; velhice; idadismo

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