As experiências na família de origem e os esquemas inicias desadaptativos na violência conjugal em homens e mulheres

Kelly Cardoso Paim, Denise Falcke

Resumo


A violência conjugal é uma problemática mundial que abrange diferentes classes econômicas, raças e etnias. Partindo-se do pressuposto de que a dinâmica conjugal violenta é um fenômeno complexo e interacional, o presente estudo se propõe a identificar variáveis preditoras do fenômeno, utilizando a perspectiva da Teoria dos Esquemas de Jeffrey Young. Sendo assim, foi investigado o poder das experiências na família de origem e dos Esquemas Iniciais Desadaptativos como preditores da violência física cometida e sofrida na relação conjugal conforme o sexo. A amostra foi constituída por 181 homens e 181 mulheres e os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: Young Schema Questionnaire (YSQ-S3), e Revised Conflict Tactics Scale (CTS2). A análise dos resultados foi realizada através de análise de regressão múltipla com método stepwise. Os resultados indicaram que o esquema de defectividade/vergonha das mulheres e dos homens e o esquema de desconfiança/abuso dos homens são variáveis preditoras da violência física cometida contra o cônjuge. O maior ajustamento materno foi considerado a variável protetiva de comportamentos violentos cometidos pelas mulheres. Em relação à vitimização da violência, os esquemas de desconfiança/abuso das mulheres e dos homens, assim como o esquema de defectividade/vergonha dos homens foram identificados como preditores de violência física sofrida nos relacionamentos íntimos. A maior funcionalidade do estilo de decisão materno foi identificada como protetor de vitimização de violência para as mulheres. Os achados ampliam a discussão sobre as variáveis que podem explicar o fenômeno da violência conjugal, consolidando a importância da avaliação dos Esquemas Iniciais Desadaptativos em situação de violência conjugal.

Palavras-chave


Violência conjugal, Esquemas iniciais desadaptativos, Relacionamento conjugal.

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DOI: https://doi.org/10.14417/ap.1242

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