Conceções dos professores portugueses sobre multilinguismo e práticas educativas em salas de aula multilingues

Margarida Alves Martins, Otília Sousa, São Luís Castro, Julie Dockrell, Timothy Papadopoulos, Charles Mifsud

Resumo


A Europa é uma realidade linguística diversa e heterogénea que enfrenta o desafio de educar uma população cada vez mais multicultural e multilingue. Os professores de língua(s) são atores nesta realidade, promovendo o multilinguismo e integrando a diversidade. Portugal não foge ao paradigma do multilinguismo e as escolas e professores portugueses vão-se adaptando a uma realidade que, não sendo nova, tem novos contornos. Neste artigo, analisam-se as conceções de professores portugueses sobre multilinguismo e as práticas educativas desenvolvidas em salas de aula multilingues por eles referidas. Os participantes foram 505 professores de todos os ciclos de ensino a lecionar em salas de aula multilingues. O instrumento utilizado foi um questionário criado pelo Grupo Multilingue da Rede Europeia de Literacia traduzido e adaptado para Portugal que foi respondido online. Os resultados mostram uma baixa concentração de imigrantes por turma, o lugar de destaque do inglês como segunda língua, professores com uma atitude de abertura face à diversidade linguística, multilingues e esclarecidos acerca do multilinguismo, valorizando a língua e cultura dos estudantes. Acreditam que o conhecimento de línguas se constitui como uma mais-valia no desenvolvimento académico e cognitivo dos estudantes.


Palavras-chave


Multilinguismo, Conceções dos professores, Práticas educativas, L1, L2.

Texto Completo:

PDF

Referências


Anderson, L. M. (1989). Learners and learning. In M. C. Reynolds (Ed.), Knowledge base for the beginning teacher (pp. 85-99). Oxford, England: Pergamon Press.

Anton, M., & DiCamilla, F. J. (1999). Socio-cognitive functions of L1 collaborative interaction in the L2 classroom. The Modern Languages Journal, 83, 233-247. Retrieved from https://doi.org/10.1111/0026-7902.00018

Aronin, L. (2019). What is multilingualism? In D. Singleton & L. Aronin (Eds.), Twelve lectures in multilingualism (pp. 3-34). Bristol: Multilingual Matters.

Aronin, L., & Ó Laoire, M. (2013). The material culture of multilingualism: Moving beyond the linguistic landscape. International Journal of Multilingualism, 10, 225-235. Retrieved from https://doi.org/10.1080/14790718.2012.679734

Arroteia, J. C. (1985). Atlas da emigração portuguesa. Porto: Secretaria de Estado da Emigração, Centro de Estudos.

Arroteia, J. C. (2001). Aspetos da emigração portuguesa. Scripta Nova – Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, 94(30).

Backus, A. (2006). Turkish as an immigrant language in Europe. In T. K. Bathia & W. Ritchie (Eds.), The handbook of bilingualism (pp. 689-724). Malden, MA: Blackwell.

Bialystok, E. (2009). Bilingualism: The good, the bad, and the indifferent. Bilinguism: Language and Cognition, 12, 3-11. Retrieved from https://doi.org/10.1017/S1366728908003477

Bialystok, E. (2010). Global-local and trail-making tasks by monolingual and bilingual children: Beyond inhibition. Developmental Psychology, 46, 93-105. Retrieved from https://doi.org/10.1037/a0015466

Campos, M. H. (1998). Dever e poder: Um subsistema modal do português. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian/JNICT.

Cenoz, J. (2013). Defining multilingualism. Annual Review of Applied Linguistics, 33, 3-18.

COM. (2008). Multilinguismo: Uma mais valia para a Europa e um compromisso comum. Disponível em http://ec.europa.eu/transparency/regdoc/rep/1/2008/PT/1-2008-566-PT-F1-1.Pdf

COM. (2014). Conclusions on multilingualism and the development of language competences. Retrieved from http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_data/docs/pressdata/en/educ/142692.pdf

Conteh, J., & Meier, G. (Eds.). (2014). The multilingual turn in languages education: Opportunities and challenges. Bristol: Multilingual Matters.

Cruz-Ferreira, M. (2010). Multilingualism, language norms and multilingual contexts. In M. Cruz-Ferreira (Ed.), Multilingual norms (pp. 1-17). Frankfurt: Peter Lang.

Culioli, A. (1990). Pour une linguistique de l’énonciation. Paris: Ophrys.

Duarte, I. (2008). O conhecimento da língua: Desenvolver a consciência linguística. Lisboa: DGIDC.

European Commission/EACEA/Eurydice (2019). Integrating students from migrant backgrounds into schools in Europe: National policies and measures. Eurydice Report. Luxembourg: Publications Office of the European Union.

Ferreira, T. (2012). A apropriação do português por adultos eslavófonos: O tempo e o aspeto. Dissertação de doutoramento, Universidade de Aveiro, Aveiro. Disponível em https://ria.ua.pt/bitstream/10773/10494/1/tese.pdf

Flores, C. (2015). Understanding heritage language acquisition. Some contributions from the research on heritage speakers of European Portuguese. Lingua, 164, 251-265. Retrieved from https://doi.org/10.1016/j.lingua.2014.09.008

Garcia, O. (2009). Bilingual education in the 21st century: A global perspective. Oxford: Wiley-Blackwell.

Godinho, V. M. (1978). L’émigration portugaise (XVème-XXème siècles), une constante structurelle et les réponses au changement du monde. Revista de História Económica e Social, 1, 5-32.

Gonçalves, C., & Sousa, O. (2010). Português L2/L1: Compreensão leitora. Limite, 4, 123-143.

Haukås, A. (2016). Teachers’ beliefs about multilingualism and a multilingual pedagogical approach. International Journal of Multilingualism, 13, 1-18. Retrieved from https://doi.org/10.1080/14790718.2015.1041960

Herdina, P., & Jessner, U. (2002). A dynamic model of multilingualism: Perspectives of change in psycholinguistics. Clevedon: Multilingual Matters.

Keating, C., Solovova, O., & Barradas, O. (2013). Políticas de língua, multilinguismos e migrações: Para uma reflexão policêntrica sobre os valores do português no espaço europeu. In M. Lopes & L. Paulo (Orgs.), Português no século XXI: Cenário geopolítico e sociolinguístico (pp. 219-248). São Paulo: Parábola Editorial.

Lantolf, J. P. (2000). Introducing sociocultural theory. In J. P. Lantolf (Ed.), Sociocultural theory and second language learning (pp. 1-26). Oxford: Oxford University Press.

Lantolf, J. P., & Thorne, S. L. (2006). Sociocultural theory and the genesis of second language development. Oxford: Oxford University Press.

Lasagabaster, D. (2013). The use of the L1 in CLIL classes: The teachers’ perspective. LACLIL Latin American Journal of Content and Language Integrated Learning, 6, 1-21. Retrieved from https://doi.org/10.5294/laclil.2013.6.2.1

Leonet, O., Cenoz, J., & Gorter, D. (2017). Challenging minority language isolation: Translanguaging in a trilingual school in the Basque country. Journal of Language, Identity, and Education, 16, 216-227.

Lewis, G., Jones, B., & Baker, C. (2012). Translanguaging: Developing its conceptualisation and contextualisation. Educational Research and Evaluation: An International Journal on Theory and Practice, 18, 655-670. Retrieved from https://doi.org/10.1080/13803611.2012.718490

Madeira, A. (Coord.). (2015). Avaliação de impacto e medidas prospetivas para a oferta do Português Língua Não Materna (PLNM) no sistema educativo português. Lisboa: MEC.

Mateus, M. H. (2011). A diversidade na escola Portuguesa. Revista Lusófona de Educação, 18, 13-24.

Migrant Integration Policy Index [Mipex]. (2015). How countries are promoting integration of immigrants. Disponível em http://www.mipex.eu/

Netten, A., Droop, M., & Verhoeven, L. (2011). Predictors of reading literacy for first and second language learners. Reading and Writing, 24, 413-425.

OECD. (2015). Helping immigrant students to succeed at school and beyond. Disponível em https://www.oecd.org/education/Helping-immigrant-students-to-succeed-at-school-and-beyond.pdf

Oliveira, C. (Coord.). (2014). Monitorizar a integração de Imigrantes em Portugal. Lisboa: ACM.

ONU. (Ed.). (2017). International Migration Report 2017. Highlights. Nova Yorque: ONU (ST/ESA/SER.A/404).

Pereira, D. (2006). Crescer bilingue. Lisboa: ACIME.

Peukert, H., & Gogolin, I. (2017). Introduction: Dynamics of linguistic diversity. In H. Peukert & I. Gogolin (Eds.), Dynamics of linguistic diversity (pp. 1-9). Amsterdam: John Benjamin.

PISA. (2006). Science competencies for tomorrow’s world. Paris: OECD.

Ponte, J. P. (1992). Concepções dos professores de matemática e processos de formação. In M. Brown, D. Fernandes, J. F. Matos, & J. P. Ponte (Orgs.), Educação Matemática: Temas de Investigação (pp. 185-239). Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.

Richards, J. C., & Rodgers, T. (2001). Approaches and methods in language teaching (2nd ed.). Cambridge: Cambridge University Press.

Sousa, O. (2007). Tempo e aspecto: O imperfeito num corpus de aquisição. Lisboa: Colibri/IPL.

Sousa, O. C., & Cardoso, A. (2005). Da língua em funcionamento ao funcionamento da língua. Palavras, 27, 61-69.

Tabouret-Keller, A. (2006). Bilingualism in Europe. In T. K. Bathia & W. Ritchie (Eds.), The handbook of bilingualism (pp. 662-688). Malden, MA: Blackwell.

Van Houtte, M. (2011). So where’s the teacher in school effects research?: The impact of teacher’s beliefs, culture, and behavior on equity and excellence in education. In K. Van den Branden, P. Van Avermaet, & M. Van Houtte (Eds.), Equity and excellence in education: Towards maximal learning opportunities for all students (pp. 75-95). New York: Routledge.




DOI: https://doi.org/10.14417/ap.1622

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Nº ERC: 107494 | ISSN (in print): 0870-8231 | ISSN (online): 1646-6020 | Copyright © ISPA - CRL, 2012 | Rua Jardim do Tabaco, 34, 1149-041 Lisboa | NIF: 501313672 | O portal e metadados estão licenciados sob a licença Creative Commons CC BY-NC